terça-feira, 21 de outubro de 2008

Pequenas coisas

A alegria encontra-se em coisas que passam desapercebidas, onde não fazemos esforços para que ocorram e onde fluam com naturalidade – estas são as melhores.
Acontece num sorriso que sai sem querer quando você está andando na rua, ou quando uma pessoa olha para você e parece que ela visualiza em sua expressão uma tranqüilidade/serenidade em seu coração – isso pode ser confundido com paquera, e porque não?!
Tem também a felicidade por fazer alguma boa ação, tipo, dar o seu lugar no ônibus para uma pessoa que realmente necessite, ajudar um cego a achar o seu destino, dar uma informação correta – tem gente que diz “vira direita, vira esquerda” e que nem sabe onde está.
Tem uma coisa que um dia eu fiz, e que foi só pelo olhar que passei a positividade para o menino. Estava eu no mercado, perto de onde eu moro, e ali tem um morro onde moram famílias carentes, mas o mercado é um grande mercado, onde tem pessoas cheias de pose e dinheiro, comprando vinhos finos e queijos suíços. E estava eu ali tirando um dinheirinho no caixa eletronico para fazer umas comprinhas básicas, quando surgiu na fila um menino baixinho, com um bilhetinho na mão, onde estava escrito: “macarrão, molho de tomate, maionese e carne”. O garoto passou por um homem de terno – deveria ser um advogado - e perguntou se ele poderia ajudá-lo, o homem nem falou nada, depois passou por uma mulher com roupas de ginástica – possivelmente saiu da academia e foi comprar seu suplemento – e ela disse que não poderia ajudá-lo pois não entraria no mercado. Então o garoto olhou pra mim, e eu dei um sorriso – sem forçar, era um tipo de oi que o garoto queria receber – então ele veio e me deu a lista, então eu falei: “Pô, você vai dar uma festa em casa e nem me convidou?!”. Ele deu uma boa gargalhada e então entramos no mercado.
Ele já foi pegando o cestinho e conversando, parecia que éramos amigos a muito tempo, falamos da família dele – ele mora com a vó e mais dois irmãos mais velhos – perguntei o que ele fazia durante o dia e disse que estudava de manhã e jogava futebol de tarde no projeto – esse projeto é aquele do governo onde criança na escola vale uma ajuda mensal para a família – falou que torcia para o Avaí – uhhhhh – disse que ele tinha é que torcer para o Grêmio. Também falamos das mulheres bonitas que tinha ali no mercado e discutimos sobre a carne que iriamos levar – hehehe, essa foi boa.
Então ali na fila do caixa, eu e o Dudu estávamos conversando sobre futebol, e no meio do papo observava que algumas pessoas olhavam de canto de olho, outra nem estavam ligando e um homem estava do lado rindo conosco depois que eu disse que o Grêmio seria campeão do brasileirão – e vai ser, anota isso.
Então me despedi do menino e disse pra ele continuar estudando e jogando futebol que ele teria um belo futuro – ele tem cara de ser jogador, baixinho e entroncadinho.
Passaram-se duas semanas e eu voltei para o mercado, para comprar pão e lá estava o Dudu com sua irmã de 16 anos saindo do mercado e ele me chamou “O tio”, e eu olhei e ele acenou bem feliz e falou pra irmã dele “esse é o tio que me ajudou um dia”, ela agradeceu e eles foram pra casa – isso foi muito legal.
Então, acho que a felicidade, está contida nas pequenas coisas – e eu prefiro que seja assim – e que com um minimo de esforço, muita gente pode sair feliz de situações que parecem ser tristes, mas sempre se tem algo a fazer para avaliar tais situações – e sempre faça isso, pare, pense e aja.
Um abraço a todos!

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